Um irredutível afro-goulés e uma semana de cão
Na Gália ocupada por César resistiu em tempos às legiões romanas uma pequena aldeia de gauleses, alimentados pela poção mágica do druida Panoramix … assim me foi dado a acreditar desde miúdo, que fiz quase a colecção toda de Asterix e Obelix, de cada vez que era internado num hospital em miúdo, os meus pais traziam-me um livro novo quase todos os dias.
Nos dias modernos, à falta de druidas, legiões romanas e lideres dignos de serem comparados a César, este africano (clarinho) ainda se inspira nessa pequena aldeia e arma-se de irredutível teimosia, mau-feitio q.b. e paciência a rodos para lidar com a cabra inconveniente que me cerca.
Tenho a declarar oficialmente, desmentindo comentário meu no post anterior, que não interessa para nada ser um génio da matemática, esta doença de facto mexe-se de formas insondáveis … ou dito melhor, a forma como o meu corpo anda a reagir ao tratamento ainda não se estabilizou com um comportamento constante e previsível, porque a doença propriamente dita essa foi arrumada e está KO com 99,9999% de certeza.
Na consulta de 5ª feira de há 2 semanas ia preparado para ficar nas urgências. Para minha surpresa agradável ainda tinha sistema imunitário (pouco mas tinha), hemoglobina e plaquetas baixas mais ainda assim dentro dos limites mínimos para o meu quadro clínico. Senti-me um genuíno Hulk (aquele verde, não essa imitação roskov que equipa de azul e branco), convencido que afinal desta feita o ciclo B não me ia atirar os valores ao chão … pura ilusão.
De facto estou mais forte, mas isso traduziu-se apenas em as células do meu sangue resistirem mais dia e meio até começarem a cair que nem tordos aos efeitos da quimio.
Na noite de sexta para sábado fui-me deitar já com 37º o que foi um erro … a febre estava a caminho e devia ter-me mantido acordado e preparar-me para vir para o hospital … optei pela técnica da avestruz, dormi mal e porcamente, com receio de olhar para o termómetro e lidar com a realidade … foi uma estupidez, que perdoo a mim próprio porque pensar que já estamos safos do pior e de um momento para o outro virmos que afinal a febre nos agarrou por um pé é um golpe psicologicamente duro … na 5ª feira estava preparado para ela, na noite de 6ª feira julgava-a uma ameaça perdida no passado e sonhava já com poucas restrições, passeios e comida boa.
Sábado de manha, dia 16, acordei todo moído. 38,3º graus de febre exclamava o termómetro. Sai da cama e a temperatura baixou um pouco, mas manteve-se nos 38º. Fui para o hospital, desanimado, muito desanimado. E assim começou a minha semana de cão.
Nas urgências deram-me paracetamol, a febre que tinha subido aos 38,8º bateu em retirada. O que veio a seguir infelizmente foi desagradável mas não foi novidade, já me tinha acontecido acho que na ressaca do 2º ciclo B. Não acontece a todo o mundo, mas acontece comigo, depois dessa descida inicial da febre, quando a temperatura do corpo dita uns aceitáveis 36,6º, sinto de repente um arrepio de frio e uma ligeira tremura do corpo … a partir dai sei que tenho menos de 30 segundos para chamar uma enfermeira porque a coisa vai ficar negra, muito negra mesmo … em menos de quase nada o frio instala-se por completo e o meu corpo retesa-se completamente e dispara em tremores tão intensos, mas tão intensos que tornam o próprio acto de respirar quase impossível … dá medo de assistir, e também dá algum medo passar por isto, mesmo quando já se é veterano da coisa.
Felizmente há uma espécie de paracetamol ou lá o que é especifico para estas situações, o problema é que demora pelo menos dez minutos a começar a actuar … são portanto 10 minutos de alta intensidade, que recomendo a todos aqueles que acham que andar naquelas montanhas russas do tipo “kamikaze-talibomba-vertiginoso” é o máximo e adrenalina é que é … venham experimentar dez minutos disto e depois venham-me falar de “adrenalina” e “emoções fortes”.
Sábado foi portanto um dia rijo … os músculos doíam-me imenso por causa dos tremores, os ossos doíam-me também (já não me lembro porquê mas é normal), estava estourado por causa da febre, dos tremores, uma noite mal dormida e uma hemoglobina baixa. Transfusões de sangue, de plaquetas, antibiótico e paracetamol para cima, a coisa foi estabilizando. O implanto fixo é que começou a aparvalhar, falhando numa das suas funções que é a de se sacar sangue sempre que necessário para analises, o que forçou os enfermeiros a voltarem as picadelas nas veias. Este foi o primeiro de 7 dias consecutivos com febres.
No dia seguinte por momentos senti-me ok para sair do quarto e ir ao WC. Ao regressar cruzei-me no corredor com a mãe do companheiro Nuno Canhoto … infelizmente, a situação dele tinha-se deteriorado de tal forma que qualquer esperança de sobrevivência tinha já sido perdida. Não o fui ver porque os enfermeiros estavam a tratar dele … devido as febres não voltei a ter oportunidade de o ver, viria a falecer poucos dias depois. Por um lado fiquei aliviado de não o ter visto, não saberia que lhe dizer … lutou tanto aquele rapaz pela vida e sofreu imenso, não há como medir mas foi das pessoas internadas que mais vi sofrer …e o que se diz a uma pessoa que não tem hipótese? … eu que digo sempre “luta, não desistas” não tinha cara para lhe dizer isso, ele sofria demais para eu ser capaz de lhe dizer isso. Era um rapaz impecável, 29 anos apenas, muito inteligente, bom sentido de humor, de certeza que era bom filho. Fez-me lembrar alguém que um dia disse que na guerra os bons são sempre os primeiros a morrer … a enfermaria de hematologia faz-me pensar o mesmo, mas ultimamente tenho tentado pensar que talvez não seja assim, talvez apenas nos toque mais quando a morte leva uma pessoa boa do que quando leva um tinhoso qualquer que ofende a humanidade com a sua respiração. O Nuno agora descansa em paz e a família enlutada sente agora a dor de uma tortura que terminou … e os que ficam continuam em frente.
Os dias foram-se passando, as analises ao sangue nunca mais estavam prontas para se identificar o raio do bicho que me afligia, de maneira que as febres eram uma visita regular e os meus habituais 35,8º de temperatura corporal eram pouco mais do que uma memória de um passado recente. A febre desgasta imenso, nunca tinha tido mais de 2 dias seguidos de febre. Só me vem à cabeça a companheira Elsa que teve 18 dias consecutivos de febre, eu com sete já me estava a grizar, ela foi uma valentona na forma como aguentou os 18.
Dias consecutivos de febre amolecem corpo e espírito de uma pessoa de tal forma que finalmente aderi à moda de trazer o urinol para debaixo do cobertor quando precisava de me aliviar … tornei-me bastante bom nesse desporto, se algum dia for modalidade olímpica sou capaz de me bater com qualquer chinês … dêem-me um subsidio que verão a bandeira nacional e o hino a tocar, em Londres já se for possível … prometo no mínimo uma medalha … até sou capaz de trazer duas se distinguirem entre a técnica do urinol colocado meio de flanco e a técnica do urinol ao centro … se se fizer a prova de estafeta juntam-se mais três companheiros lá da enfermaria e pode ser que arranque 4 medalhas e começo a fazer um pouco de sombra ao Phelps … ah e sou menino para competir logo de manhãzinha as 8 se for preciso … alias recordo-me de garbosos eventos olímpicos relacionados com urina (alimentada a cerveja) com os meus brothers da Amadora, a altas horas da madrugada numa certa e determinada estrada nacional, algures no Alentejo, onde deixámos inscritos a “dourado” os nossos nomes e estabelecemos recordes mundiais de extensão de rasto de urina, interrompidos apenas por um ou outro inoportuno camião que teimavam em usar a estrada que tínhamos eleito para a nossa pequena competição.
Isto de urinóis e arrastadeiras dá pano para mangas … estava eu a ver o Sporting-Porto, aquela soberba e merecidíssima vitoria na Supertaça Cândido de Oliveira, quando se instalou uma necessidade profunda de ir ao WC … infelizmente estava com a tensão baixa, e entrei ali numa teima com os enfermeiros que me sugeriam arrastadeiras em troca de uma deslocação ao WC … “mas eu estou bem para ir ao WC” dizia eu, “a maquina de medir a tensão diz que não estás” diziam eles … “a maquina tá avariada” dizia eu, “avariado estás tu da cabeça” diziam eles …convenhamos que usam argumentos de peso, mas estavam a lidar com uma mula que por semanas respirou ar sul-africano, reconhecidamente saturado de teimosia persistente e crónica.
Sugeriram-me uma arrastadeira … recusei peremptoriamente, por motivos que não eles não perceberam e que não estive na altura para explicar mas que daqui a nada partilharei convosco. De seguida sugeriram levar-me de cadeira de rodas ao WC … recusei novamente, afinal sentia-me em condições de ir pelo meu próprio pé. Decidi comprar tempo, a ver se com o jogo me subia a tensão … infelizmente ou não, o jogo estava a correr de tal maneira que não me conseguia irritar logo a tensão não subiu … eventualmente na segunda parte, depois do 2-0 lá acedi contrariado a ir de cadeira de rodas ao WC, não tinha como resistir mais ao chamamento da natureza.
O problema das arrastadeiras, explico-vos desde já e em primeira mão para que saibam, é que é um raio de uma coisa desenhada para mulheres … não, não é machismo a falar, ergonomicamente aquela bodega está desenhada para a anatomia feminina. “Mas Michael, qual é o defeito ergonómico da arrastadeira para o seu uso por humanóides do sexo masculino?” perguntam vocês! … e eu fico contente de vocês perguntarem isso porque mais uma vez tenho a ilusão de ter descoberto uma coisa absolutamente obvia que tem iludido o resto da humanidade … a resposta é que lhe falta profundidade!
Falta profundidade à arrastadeira, mas antes de elaborar aviso-vos que se estiverem em vias de ir comer qualquer coisa vou-vos colocar uma imagem desagradável na mente … sou um homem de proporções absolutamente normais, não acredito que tenha testículos desmedidos nem descaídos … com aquela profundidade não há forma de não os ter a boiar no meio de urina e fezes numa questão de segundos … caso nunca tenham experimentado, não experimentem e acreditem em mim … tê-los a boiar em urina e fezes é profundamente, mas mesmo profundamente … desagradável.
Lanço aqui um apelo aos engenheiros portugueses que desenvolvam uma arrastadeira masculina, é todo um mercado à escala global que está órfão e ávido de oferta. Podemos tornar-nos o maior exportador de arrastadeiras versão masculina e assim resolver o problema do desemprego e talvez da fome em Portugal. Fico a aguardar pelo convite do Presidente da Republica para ir jantar lá a casa (na condição de não me cuspir bolo-rei para cima) e receber uma qualquer medalhita de uma nação agradecida e até pode ser que o Mr Nelson “Triplo Salto” Evora me venha a pedir o autografo.
Estou neste momento a tentar resolver o outro grande problema da nossa nação, o de arranjar um cérebro para o nosso primeiro ou uma alternativa credível na oposição, mas quer um quer outro está mais custoso do que possam supor … se bem que o Jardim com a sua ideia de um Partido Federal fez renascer em mim uma velha ideia que venho acalentando há algum tempo … uma Republica Federal Ibérica! Espanha deixa de ser uma monarquia e todos os povos irmãos da Península Ibérica se unem de uma forma espontânea em prol do benefício comum, não subjugados à tirania centralizadora e prepotente castelhana … hey, no mínimo havíamos de ganhar muitas mais medalhas nos Jogos Olímpicos, já que claramente isso é um assunto muito mais sensível e mobilizador do que por exemplo o estado (miserável) da saúde neste País.
Mas divaguei …
Voltando à crónica do internamento, 4ª feira foi um dia psicologicamente desgastante. De manhã recebi uma excelente noticia, já estava identificado o bicho que eu tinha, o antibiótico que me iam passar a dar era especifico para a bacteriazita … fixe, pensei eu, amanha já estou ok, 6ª o mais tardar estou em casa … à tarde veio a má noticia … o sacana do implanto fixo estava infestadinho de bactérias e o antibiótico não ia conseguir remove-las … mais uma vez, caso raro um implanto-fixo sub-cutaneo infectar, aqui o do vosso amigo infectou … o mais depressa possível devia ser retirado.
No dia seguinte lá estava eu ao meio-dia estendido na mesa de operações … isto depois de ter ido o caminho todo a barafustar ir de maca até ao bloco de operações quando podia perfeitamente ter ido e voltado pelo meu próprio pé … 30 minutos depois lá apareceu o cirurgião acompanhado pelo júnior … quem era o júnior? Presumo que seja um maçarico acabado de sair da Faculdade de Medicina, porque nem direito a nome tinha e quero iludir-me que os 30 minutos de atraso do cirurgião devem ser explicados por ele repetidamente ter questionado o júnior se iria ou não vomitar-se / cair para o lado ou de alguma outra forma perturbar a cirurgia quando visse sangue. O júnior foi um valentão e não perturbou nada, há-de se fazer dali bom cirurgião.
Se por acaso tens um implanto fixo, e estás com esperança de ler que tirá-lo é ainda mais fácil do que colocar, permite-me desde já que te desengane, é que não é! … custa no mínimo, três vezes mais, quer em dor quer em tempo de recuperação. Não se trata apenas de uma questão de anestesia (apesar de o cirurgião ter sido forreta na anestesia, tema ao qual voltaremos), a questão é que a porcaria do corpo ao fim de um mês já se habituou a acomodar aquela coisa estranha e inclusive já criou “laços” com o objecto … ora se colocar se trata de talhar e empurrar com cuidadinho, remover já implica talhar e arrancar para fora à bruta … é mau e acreditem que dói … essa é a má noticia …. a boa noticia é que mais dia menos dia vai ter que sair … ok, não será uma boa noticia necessariamente mas é um dado adquirido. No global e apesar da infecção continuo a recomendar que façam o implanto fixo se tiverem a oportunidade, é extremamente cómodo e bastante seguro e faz por merecer as dores que provoca ao remover.
Médicos forretas na anestesia não são novidade … porque motivo são forretas ilude-me, mas não vou explorar essa via, quando existe uma outra muito mais x-fileiana a ser investigada … a das perguntas que os médicos colocam quando no fundo se estão a borrifar para a nossa resposta. Não sei se se recordam disso mas já falei disso noutro post, pois então o fenómeno voltou a acontecer com este cirurgião.
Chegados a fase da sutura, uns bons 20 minutos (pelo menos) depois da anestesia inicial, o homem lá começa a cravar agulha e passar linha … ora bem, aquela merda doeu. Sendo um gajo da Amadora, faço os possíveis por evitar gritar com dor, afinal é todo um concelho que estou ali a representar. Aquilo que não dá para controlar é esgares de dor e espasmos de dor pelo corpo fora quando as coisas doem …e aquilo estava a doer. Doeu à primeira cravadela, doeu à segunda e à segunda lá vem a “pergunta” do cirurgião: “Então, está a doer?!” … primeiro achei curiosa a pergunta, porque só uma pessoa de elevado autismo não teria constatado isso sem ter de perguntar. De seguida, como fui bem-educado pelos meus pais, achei por bem responder ao senhor: “Sim!” … logo ai construi a ilusão que ia receber mais anestesia … acto continuo à minha resposta o cirugião remete-se ao silêncio, dá a 3ª cravadela, pouco depois seguida da 4ª … ilusão desfeita, lide concluída, soltem o cabresto e recolham o doente aos curros. Ora bem vejamos, sigam o meu raciocínio … se ele já tinha decidido que eu ia levar os pontos a frio, para quê parar a meio para colocar aquela pergunta inútil?!
Desenvolvi, enquanto devorava um bife da Portugália ao jantar, uma teoria que talvez responda este mistério ou condição anómala que parece afectar parte do corpo médico nacional … a teoria é esta (não vou arranjar amigos com ela): Sindroma de Cabeleireira … há médicos que sofrem de sindroma de cabeleireira, ou seja, no fundo gostavam, ou precisam, ou sentem necessidade de estabelecer com o cliente dos seus serviços, um mínimo de conversa de circunstância enquanto efectuam os procedimentos necessários à satisfação do serviço … alguma coisa equivalente a uma cabeleireira perguntar “então, já viu o tempo estúpido que estamos a ter este Agosto?”, que como todos sabemos é uma pergunta perfeitamente plausível e que motiva ali uns bons 30 segundos de conversa com o cliente, se for homem, ou chegando mesmo a uns bons 15 minutos de conversa, se for mulher, sendo que se for mulher tem a vantagem adicional de a conversa naturalmente evoluir para um assunto em nada relacionado com meteorologia, ad continuum até que o serviço está feito, senta-se na cadeira vaga uma nova cliente e a cabeleireira pode novamente perguntar: “então, já viu o tempo estúpido que estamos a ter este Agosto?”
Ora bem, o problema é que os nossos senhores doutores e doutoras, lá devem achar que andaram a estudar demasiado e que têm um estatuto na sociedade que não lhes permite colocar perguntas de circunstância sequer remotamente comparáveis aos de uma cabeleireira … ora isso é problemático à brava porque convenhamos, as cabeleireiras são mestres na área das perguntas e conversa de circunstância, aquilo com elas já evolui até uma forma de arte que mais ou menos açambarca tudo o que seja mundano. Portanto os senhores doutores e doutoras colocam-se a eles próprios numa posição ingrata de se saírem com uma conversa de circunstância que nunca ocorreria a uma cabeleireira, dai se saírem com pérolas do estilo: “Então, está a doer?!” … “Sim!” vem a resposta e depois instala-se a duvida na cabeça do médico “porque raio é que uma pessoa inteligente como eu acaba de fazer uma pergunta tão otária?!”
Falando para a classe médica em geral, pela qual, ao contrário do que algumas coisas que aqui tenho escrito possam dar a entender, não nutro uma antipatia inata (alguns de vós já me salvaram a vida inclusive, por mais de uma vez, portanto obrigado bacanos!) tenho isto para vos dizer: eu estou apenas aqui a dar pistas e iluminar caminhos alternativos … parte de vocês mesmo pararem, reflectirem, reconhecerem que têm um problema e a partir dai procurarem ajuda. Força ai, não desanimem, deve haver uma cura … algures!
Esta crónica já vai extensa e sinto que estamos avançar demasiado depressa na resolução dos principais problemas da nossa sociedade, o que por si só deveria dar direito a eu receber uma multa, então daqui a nada vou mas é dormir que amanha de manha vou ter que colocar um cateter e depois iniciar o 4º ciclo A … pois é, tive alta no Sábado e amanha estou de volta à carga … não, não me sinto 100% confortável porque a ultima dose de hospital está demasiado recente e voltar às restrições após um tão curto tempo de liberdade relativa não é fácil, mas os médicos dizem que tenho valores ok e se depender de mim não vou atrasar uma semana o plano traçado pelos médicos, especialmente tratando-se de um simples ciclo A. Cerra-se os dentes e como diria o Henrique número não sei quantos, volta-se à brecha mais uma vez, imitando a pose, a ferocidade e o fulgor do tigre.
Despeço-me com uma dica e uma explicação
Dica: Como não cair no chuveiro … ok, pode haver vários motivos pelos quais um tipo cai no chuveiro, não consigo resolver todos, mas sempre me pareceu que o maior factor de risco está quando um gajo tenta calçar as calças do pijama. Ora bem, a técnica correcta a ser empregada é a seguinte: a) colocar primeiro a camisa do pijama; b) aproveitando que é suficientemente grande a camisa para evitar que o rabo sinta a humidade do azulejo, encostar o rabo à parede; c) enfiar uma perna nas calças; d) enfiar a perna remanescente … voilá!
Explicação: Foram vários dias sem dar noticias, alguns de vós terão ficado preocupados, gostaria de ter podido escrever algo mais cedo mas no dia em que tive alta estava ainda demasiado fraco para poder produzir uma crónica digna, e nos dois dias seguintes tive que repartir o meu tempo entre dormir, comer, tomar a medicação e ser feliz … fiel à minha nova filosofia de vida, a parte de ser feliz roubou-me imenso tempo, tanto que tive que vos deixar no suspense mais alguns dias … é que fui feliz à brava, durante bastante horas que me pareceram minutos, fazendo coisas absolutamente simples e naturais que já não fazia há um porradão de tempo, que me revigoraram a alma para mais esta etapa desta maratona que em breve terminará … atentem que isto é uma explicação, não um pedido de desculpa, se no meu lugar procedessem de outra maneira lamento informar-vos, com carácter oficial, que os prezados amigos e leitores seriam uns autênticos e genuínos asnos.
Fiquem bem
PS: Não me perguntem porque motivo a fonte está a 16, o blog.com parece ter evoluído tecnologicamente mas incompatibilizado com a capacidade de aceitar ordens deste utilizador, que freneticamente tentou reduzir a fonte por varias vezes ao habitual 12 até ao ponto que pensou “aaaaah … que ça f***!”